Ana Abbas – Enfermeira Obstetra

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Quando eu tinha 16 anos, vivi uma situação decisiva na minha vida!!

Eu já não tinha dúvidas que queria ser enfermeira, e depois especializar em Obstetrícia. Além de gostar de cuidar das pessoas, eu queria cuidar dos bebês e das mães.

Nessa mesma época, em uma noite, encontrei com minha mãe em uma sorveteria do bairro em que morávamos. Ela me ligou bem emocionada pedindo para que eu a encontrasse lá rapidamente… E assim, eu fui!!

Cheguei em poucos minutos, porque fiquei preocupada com o que poderia estar acontecendo. Quando cheguei lá…. Minha mãe estava sentada em uma mesa com uma moça desconhecida. E essa moça tinha o cabelo um pouco bagunçado, calçava um chinelo e estava grávida. Era uma barriga linda que dava para ver toda a movimentação do bebê lá dentro… Ela parecia estar incomodada com alguma coisa. Tinha uma cara de dor, mas conversava como se estivesse se sentindo bem…

Quando me deparei com aquela cena me questionei “o que está acontecendo com aquela moça?”, foi quando minha mãe me explicou que ela sentindo contrações e que o bebê poderia estar perto de nascer.

Sem saber muito o que fazer e como ajudar, chamamos a ambulância. Enquando o SAMU não chegava perguntei se eu poderia acompanhá-la no hospital, e ela me olhou com um sorriso enorme dizendo que seria muito bom se eu pudesse ir!

Mais que depressa retribui o sorriso, meus olhos se encheram de lágrimas, afinal, era uma mulher, sozinha, em um momento de dor que, sem me conhecer, permitiu que eu participasse de um momento importante e íntimo.

Chegando no hospital, ela me disse que era o segundo filho e não tinha feito pré natal. O companheiro a deixou no inicio da gravidez.

No hospital foi detectado que ela estava no início do trabalho de parto e que poderia demorar para o bebê nascer. Não haviam contrações suficientes e estava tudo bem com ela e o bebÊ, então mandaram ela voltar para a casa com orientações de que se as contrações apertassem, bolsa rompesse ou sangramento, era p ela voltar ao hospital.

Pedi um taxi e a deixei em uma rua que ela pediu para ficar. Não havia ninguém esperando por ela e ela não entrou em casa alguma. Fiquei preocupada, porém, era o que ela disse que queria.

Depois disso, fiquei ansiosa e querendo notícias se o bebê tinha nascido e se ela estava bem! Demoraram 3 dias para que eu reencontrasse a moça. Eu a encontrei próximo a padaria, e já com uma linda criança, cabeluda e parecia ter olhos claros. Ela me deu notícias que estava tudo bem com ela e o bebê e que voltou para o hospital 1 dia depois. Tomamos um café na padaria mesmo e assim nos despedimos.

Enquanto eu estava vivendo tudo aquilo com aquela mulher e depois que vi o bebê dela, meus desejos profissionais se afirmaram.

Após ter me formado na Enfermagem, iniciei a obstetrícia em um Hospital referência em parto humanizado em BH.

E quando eu comecei a residência, comecei a perceber que muitas mulheres chegam para ganhar seus bebês sem saber de nada, em um lugar desconhecido e com pessoas desconhecidas.

Isso foi e é, o que mais me motiva em trabalhar. O meu objetivo é que todas as mulheres vão ganhar seus bebês sabendo o que pode acontecer, desejando e sabendo lidar com a dor e com os vários caminhos que podem acontecer no decorrer do trabalho de parto.

Acredito que a gravidez e o parto são momentos únicos na vida de uma mulher, etapas divinas que devem ser respeitadas e tudo acontecer da forma mais suave e segura possível!

É criadora do site www.anaabbas.com.br